Coordenação: Maria Isabel Mendes de Almeida

Período: 2020 – presente

Esta pesquisa tem como eixo central refletir sobre novas dinâmicas do afeto entre jovens que se inscrevem em meio a contextos movediços, incertos e flutuantes da contemporaneidade. Pensar sobre tais transformações implica ter em mente a influência decisiva das ferramentas tecnológicas digitais e seu impacto sobre as subjetividades e acerca das ressignificações do amor romântico da modernidade. Neste sentido, caberá aqui a tematização e exploração das práticas amorosas e do encontro com o outro, atravessadas não somente pelos novos arranjos que se estabelecem entre as noções de tempo e espaço, mas igualmente pelo desmanche das fronteiras outrora mais rígidas e sólidas entre as noções de amor, amizade, intimidade e sexo. Assim, em interlocução com jovens dos setores médios de nossa população, refletimos sobre o recurso aos múltiplos dispositivos tecnológicos digitais com finalidades de encontros, formação de sociabilidades amorosas, buscas “eficientes” e pragmáticas do par.

Tais práticas parecem ensejar remanejamentos cruciais nas dinâmicas da modernidade e sua gestão do amor romântico no que diz respeito, por exemplo, à idéia icônica do acaso, como ingrediente central da construção amorosa. O boom das redes sociais, sobretudo aquelas direcionadas à busca do par (tais como Tinder, Happn, OkCupid etc.) contém em si a analogia com espécies de cardápios de escolhas que se antecipam, garimpando e “queimando etapas” em relação à longa trilha e às vicissitudes inerentes ao encontro amoroso moderno. Tal fenômeno vem corroborando com interpretações teóricas que sugerem a tendência a uma maior racionalização das escolhas amorosas abastecidas contemporaneamente pela ubíqua presença das mídias no Inter jogo das novas acepções das relações espaço-temporais.

A incursão etnográfica que pretendemos realizar inclui não somente a realização de entrevistas qualitativas com jovens brasileiros de diversas regiões do país, mas igualmente o acesso a inúmeras ferramentas tecnológicas como sites, aplicativos de encontros, redes sociais utilizadas por eles para a construção de suas relações sociais, em especial aquelas classificadas como amoroso-afetivas. Neste sentido, procura-se rastrear as economias internas de tais jovens tendo em mente suas intercessões com um cenário de transformações que requer contínuos processos de construção e desconstrução de valores, ideais e comportamentos.