Coordenação: Maria Isabel Mendes de Almeida

Período: 2016 – presente

Desinteresse pela leitura, alheamento à realidade e fixação por novas tecnologias são lugares comuns facilmente atrelados aos jovens da contemporaneidade. Em consonância com a necessidade de mudar a pergunta em torno de “quanto se lê” para a problemática de “como se lê”, esta pesquisa se dedica a investigar as práticas de leitura por meio de um amplo espectro de dispositivos, plataformas e suas variadas possibilidades de utilização em espaços físicos e virtuais. Sob esta perspectiva, é pensado o caráter híbrido e, por vezes, fragmentado da circulação de informações em um contexto de mobilidades e deslocamentos que implicam em reinvenções tanto da cidade, quanto do espaço íntimo hermético naturalizado como lócus da experiência de leitura. Interessa-nos tematizar como o acesso a tempos e a espaços outros, propiciado por essa experiência é atravessado pelo desejo de encontro e de compartilhamento com outros leitores; impulsionado por plataformas virtuais como o Youtube e por ocupações sutis e significativas do tecido urbano que se valem de bibliotecas livres, ninhos de livros em pontos de transporte público, sarais e intervenções poético-visuais em torno da celebração da leitura no ambiente da cidade. Nossos interlocutores são booktubers, jovens que compartilham suas experiências com os livros por meio de vídeos na internet e ainda coletivos mobilizados pela produção e circulação de artefatos literários diversos – gibis, livros, instalações – no espaço público. Tais artefatos são tomados como artifício metodológico que nos leva ao encontro de diferentes modos de estar face a face promovidos pelo jovens em questão, que em nada se assemelham ao estereótipo do leitor solitário e anti social que se refugia da agitação da urbe. O olhar atento à variedade de suportes e de cenas de interação, volta-se, portanto, ao dinamismo da experiência e sua potência para ocupar, reapropriar, fabular e manusear realidades e lugares.