Autora: Fernanda Eugênio

Ano: 2012

Resumo:

Neste artigo busco refletir sobre as modulações subjetivas e tecnológicas envolvidas na ocupação da cidade do Rio de Janeiro pelas culturas jovens eletrônicas, na composição sempre inacabada e mutante do circuito de lazer noturno conhecido como “cena carioca”. Este se define menos por características sociológicas específicas e estáveis e mais como “comunicação transversal entre populações heterogêneas”, revelando-se antes na observação de seu funcionamento disjuntivo – a desenhar modalidades de consumo e estilos de vida. A investigação acompanhada a “invenção de percepções”, por parte dos jovens frequentadores da cena, para navegar nesta “faixa de frequencia”, seja através da produção de copresença entre real e virtual (em seu acionamento simultâneo e pautado pela saturação como valor), seja pelo recurso combinado aos mais diversos estímulos sensoriais (das batidas eletrônicas às substâncias sintéticas – com destaque para o ecstasy -, passando por uma moda empenhada no borrar das fronteiras de gênero e pela experimentação erótico-afetiva dos corpos em festa). O arranjo idiossincrático de todos esses elementos, ao mesmo tempo em que gera um fenômeno de transbordamento, impossível de ser abarcado pela lógica de identidades estanques (pois se define mais pelo “e” do que pelo “é”), também retraça de modo irriquieto o espaço da cidade.